em 81 disse à drª Manuela Brazette, psiquiatra, «Eu sou feia».
Ela disse-me «Não é ser feia. Não há pessoas feias. Não tem é atractivos sexuais».
Lembrei-me então do homem que em 74, tinha eu 14 anos, se cruzou comigo no Arco do Cego.
Lembrei-me do homem, da cara do homem vagamente, mas lembrei-me muito bem do que ele me tinha dito ao passar por mim.
Tinha-me dito «Lambia-te esse peitinho todo».
Lembrei-me também da meia dúzia de outros homens que durante a minha adolescência me tinha dito quando eu passava «Coisinha boa» e «Borrachinho».
Ainda hoje me sinto profundamente agradecida a esses homens.
Pensei que eles estavam a avacalhar, que eram uns porcalhões.
Mas quem estava a avacalhar era a drª Manuela Brazette, ela é que é uma porcalhona.
Acho que um homem nunca consegue ser mau para uma mulher como outra mulher.
"Caras Baratas", página 222
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